Essa é uma pergunta que certamente já ouvi em alguns momentos da vida, as vezes me fiz também. Qual é a melhor, a primeira ou a última mordida da pizza predileta? Sobre a pizza, ainda continuo na dúvida, mas hoje tive certeza de que nas coisas de sentimento, de amor, de amizade, o fim é a pior parte. O começo é lento, a paixão está lá e é só uma questão de atração, é mais fácil se desprender, terminar, desapegar-se, mas quando vira amor, o fim é uma ferida profunda demais que não importa se é cavada aos poucos ou de súbito, ela vai doer e doer muito, até ser insuportável.
Agora entendo o que é ter o coração partido, não por um Amor Eros, não por um namorado, por algo maior que atração física e beijo na boca, por confiança, por amor fraterno, por amizade. Um sentimento grande demais, e agora doloroso demais. Talvez no final das contas seja assim mesmo, o mais importante seja o novo, a paixão, a emoção do desconhecido. O amor perde a graça, se desgasta e vira segundo plano. A paixão cega. A paixão por qualquer coisa cega e imuniza até mesmo um amor construído em anos, em estradas, em sentimentos de todos os tipos. É a aceitação de quem ama, aceitação a qualquer hora enquanto você é amado ou esquecido, só que nem mesmo o mais puro amor consegue por tanto tempo superar a força do descaso, suprir os buracos da ausência, então a tristeza vem, a agonia e o cansaço começam a surrupiar os bons sentimentos, apagar as boas lembranças, os dias, as horas, os retratos, os sentidos.
É triste assumir mas não sei me fazer indiferente, talvez seja insegura ou imatura demais, mas não consigo simplesmente deixar como está e ficar tudo bem. Ando mesmo triste e queria que essa droga de sentimentalismo parasse de bater tão forte na minha alma até incomodar meus olhos virando lágrimas. Elas são humilhante as vezes, sinceramente não consigo fingir contentamento, fingir toda essa maturidade, essa farça que é não demonstrar afeto por simples orgulho. Queria que as pessoas fossem mais abertas, mais sinceras com os outros e consigo mesmas. Seria tão mais fácil se o ego desaparecesse por alguns segundos e a verdade falasse sem ser interrompida pelo orgulho, sem ser abafada pela omissão. 

É constrangedor dizer, mas não sou forte pra isso tudo, e a fraqueza pra mim é a forma mais bonita de ser chamada toda essa coisa de se expressar, de deixar claro os bons sentimentos de falar que liga, de assumir que ama.
Agora parece que terminou, por omissão, por desapego, por desculpas demais e descasos demais, terminou. E ao que parece, a única coisa boa desse fim é estar livre do impasse, do sentimento arrebatador de vê-lo chegando e o coração pular de alegria com a esperança que dessa vez seja como antes, que dessa vez ele permaneça. Talvez seja melhor não conviver mais com a mentira, com a esperança forçada, com a presença requisitada, com o empurrar com a barriga por não ter um motivo verdadeiro para um trágico fim. E que fim trágico se torna o fim recebido com descaso, com aceitação, com facilidade, com pouca importância.Aprendemos a ser tão duros, tão indivíduos, tão homens que esquecemos o que é ser humano, essa humanidade que julga amizade entre pessoas de sexo oposto, que julga o amor falado, que julga o homem que chora.
Eu não tenho sorte definitivamente, sou de poucos amigos, e essa coisa toda de poucos e bons as vezes complica, porque quando se perde um deles, se perde a direção, se perde um pedaço grande demais. um coração dividido em poucas partes porém um coração com uma parte grande demais ferida, mas como diria Cazuza, "baby, suporte, foi apenas um corte." Mais um corte. Imagino o que ele passou ao escrever essa música, não é atoa que vivia entorpecido. Acho que já estou falando besteiras demais aqui, deixando os dedos caminharem sem muito limite por esse teclado. Hoje não tenho nenhum fim de texto, nenhum conselho, nenhuma moral de história, apenas precisava escrever, pra não lembrar demais, pra não sofrer demais, pra me sentir acompanhada, mesmo que só por eu mesma, éramos um trio, é o que ando pensando. Agora restam lembranças boas e pedaços de alguma coisa que talvez um dia foi amor. Pena que não era amor o bastante, pena que esse seja mais um caso de amor sufocado pela paixão de tantas outras coisas da vida.
Apesar disso tudo, a parte boa é que ficam as lembranças felizes, os momentos, os objetos e principalmente as marcas que um deixou no outro ao longo do tempo. Então no final das contas a amizade prevalece, ela nunca morre tão rapidamente como a paixão, no fundo sempre estará lá. E a única coisa que pode se esperar do fim, é que as marcas que se deixa sejam boas em sua maioria. Marcas lembradas com saudade, mesmo que nunca mais revividas.
Apesar da dor, ainda se tem os amigos que ficam, aqueles que não são apenas pessoas com suas individualidades, aqueles que não colocam suas vidas tão acima desse sentimento e não o fazem algo secundário. É destes amigos que quero lembrar e guardá-los com todo o afeto e dedicação possíveis para que eu os tenha sempre, para que eu dê e receba com a mesma intensidade. Com decepções e perdas podemos sempre aprender e não repetir erros banais, assim, com minha melhor amiga que tento e quero fazer, obrigado por permanecer e se esforçar por isso, eu sempre estarei com você. Lembre-se, Mesma intensidade!

